novembro 27, 2008

Thanksgiving - The 5 things I'm thankful for - 5

Uma piada interna familiar conta que o sonho do meu avô paterno era que eu fosse pianista. Quando eu nasci ele pegou minhas minúsculas mãos e disse, com esses dedinhos, só poderá ser pianista.

Eu cresci e nunca fiz nem uma aula sequer de piano. Aliás, a única coisa mais perto de música que aprendi foi a tocar o dó-ré-mi numa flauta doce, e isso antes de chegar a uma idade com dezena. Naquela época eu ficava mais encantada com o fato da flauta ter gosto de plástico (a minha era cor de chocolate mas não tinha gosto de chocolate) do que com as possibilidades de som que eu poderia obter dela.

Mas eu gostava de outras coisas, e umas que eu mais gostava era pegar meus livrinhos da coleção da Taba, colocar os disquinhos na vitrola e acompanhar as histórias que eram contadas com o que estava escrito no livrinho. Eu achava fascinante que um amontoado de letrinhas poderiam se transformar em aventuras de onças e marcianos e marinheiros, desde que colocadas nos lugares certos. E isso quando ainda não tinha idade para completar os dedos de uma mão. Ainda hoje fico.

E su eternamente grata pelos constantes incentivos à leitura recebidos desde sempre. E espero que meu avô entenda a minha preferência, hoje, pela musicalidade de frases bem construídas e ritmos e coordenação de parágrafos. Eu certamente me divirto muito mais teclando as letras do que jamais poderia tocando peças pretas e brancas em um piano.


Um comentário:

Maria Helena disse...

Cris, acabei de ler e gostaria de dizer que fiquei emocionada. Beijos. Maria Helena