outubro 01, 2008

Recomeçando.

E, então, como se fosse sempre assim, há o dia em que se acorda e a dor não está mais lá.

Não há mais enjôo* nem irritação. Nem é mais possível sentir os pequenos capilares cerebrais pulsando a cada jorro de sangue. A sensibilidade volta ao normal, e um bater de portas não é mais o fim do mundo.

E acorda-se novamente respirando. Sentindo o ar que enche os pulmões em vez da dilatação do diafragma que estica toda a pele e contorne os nervos. Nada mais disso. Apenas um quase silencioso murmurar, como se o corpo todo agradecesse a folga.

O peso se foi.

Agora já é possível seguir em frente.









* Perder-se-ão os acentos nas palavras como enjoo a partir de janeiro de 2009. Mas eles ainda valem. E eu ainda sou muito apegada a eles. O novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa diz que até 2012 os livros e gramáticas e as pessoas terão que se adaptar a esse novo jeito de escrever. Que eu acho deveras arbitrário, uma vez que as mudanças - essas mesmas que levam à evolução de qualquer língua viva - efetivas são as que partem dos usuários da língua para depois passarem a ser regra geral.

2 comentários:

Melissa Barbosa disse...

Pois, esta reforma ortográfica é uma agressão! A língua é algo vivo e precisa ser respeitada. Mas até ela está sendo mutilada por causa de interesses particulares...

A Autora disse...

Eu também acho, Mel. E já me imagino sendo bem chata daqui a uns anos, dizendo que no meu tempo respeitávamos os acentos.

Eu acho legal que a língua cresça, mas quando é assim forçado, fica artificial. E eu nunca vi nenhum leitor brasileiro ou português não entender um texto por causa de um acento ou de uma grafia diferente.

Beijo