abril 25, 2008

As histórias


Ontem, quer dizer, dia 23, foi dia de São Jorge (já falei sobre isso ali) e também foi dia Mundial do Livro (sobre o que também já falei).


O que eu não falei foi sobre as fotos abaixo. Foram tiradas lá na Igreja, enquanto os padres davam bênçãos e as pessoas esperavam pelo início da missa e rodeavam o cercadinho em volta da imagem do santo, pedindo para que os atendentes - a equipe da igreja, que estava trabalhando no evento - passassem suas rosas, suas imagens, seus objetos pessoais mais diversos (chaves de carro, chaves de casa, carteiras, talão de cheques, crianças, até capacete de moto passou ali) no manto da imagem, numa transformação mágica em que os meros objetos passam a ser amuletos. Interessante foi ver o desespero das pessoas para receberem folhas de espada-de-são-jorge que foram passadas embaixo do manto da imagem. Quanto mais a pessoa aparentava ser de classe social mais alta, mais desesperada parecia estar, querendo furar a fila, passar na frente, pegar a folha maior.


Aí começou a ficar escuro. Aí começou a missa. Arranjei um cantinho na escada que levava para o órgão, no fundo da nave da igreja, sentei ali e fiquei observando. Fiquei observando e escrevendo os bilhetinhos para colocar nos livros (este e este) e esperando.




Olá. Se você achou este livro, ele agora é seu. Dia 23 de abril, além de
ser dia de São Jorge, é dia Mundial do Livro, e a tradição que começou há muitos
anos na Espanha diz que neste dia devemos deixar um livro solto pelo mundo para
que ele encontre o seu leitor.
Portanto, parabéns, Leitor! Espero que você goste do presente e que possa,
no próximo ano, deixar também um livro solto para que mais alguém o encontre.
(mais ou menos o que dizia o bilhete dentro dos livros)


Aí eu saí dali, ia começar a procissão, da qual eu não estava afim de participar. Fui até o santuário (ou seria velário o nome correto? Bem, a salinha anexa onde as pessoas estavam acendendo suas velas) e entrei na fila para pedir a bênção do São Jorge, que constava de esfregar o manto sobre a cabeça, como quando se está em Compostela e se deve entrar por um lado da catedral, colocar a mãos aos pés de Santiago e dizer "Santiago, aqui estou", como um sinal do fim da peregrinação. Ok, eu pensei em todas aquelas pessoas e considerei quanto tempo estaria aquele manto ali e, bem, segurei a barra do tecido sobre a cabeça, não exatamente na cabeça, mas com uma quantidade de ar - pequena, mas existente - no meio. Eu respeito as tradições e as sigo, desde que não interfiram na minha frescura crônica.


Dei a volta na mesa em forma de cruz (algumas fotos no post anterior, mais fotos no flickr), fiz uma oração sincera, acendi a minha vela e a partir daí me senti liberada para deixar aflorar a jornalista em mim. Tirei várias fotos, conversei - small-talk - com algumas pessoas e fui até o salão paroquial, lugar ideal para deixar o primeiro livro.


Que lindo! Sério, muito emocionante. Tentei não chamar muito a atenção e me deixei ficar numa mesa perto de onde um grupo grande estava sentado. Tirei algumas fotos e simplesmente me levantei, deixando o livro-mais-bilhete-mais-rosa sobre a mesa. Louca pra virar pra trás pra ver se alguém tinha notado. Morrendo de curiosidade de saber quem pegaria o exemplar. Sem caber me mim de vontade de me esconder e ficar observando e tirando fotos.


Mas segui em frente.


Encontrei ainda uma senhora vestida de Rei Mago e consegui tirar uma foto dela. A foto ficou meio sem foco, estávamos atravessando a rua, em pleno corredor de ônibus, e eu estava com medo que o sinal abrisse. Mas ficou interessante, e ela adorou que eu tirei uma foto.

(ela fez questão de que a igreja aparecesse ao fundo)



Aí, na volta pra casa, deixei o outro livro no ônibus, no banco vazio ao meu lado. Louca pra virar pra trás pra ver se alguém tinha notado. Morrendo de curiosidade de saber quem pegaria o exemplar. Sem caber me mim de vontade de me esconder e ficar observando e tirando fotos.



Mas segui em frente. Até porque tinha que ir pra casa. Arrependida de não ter trazido mais exemplares, pra ter deixado um em cada canto da cidade.

3 comentários:

Arquiteta Anônima disse...

Lindo, lindo, lindo!
Os posts, as fotos ... TUDO !
Lembrei de ti no dia, quando peguei o santinho que você me deu e rezei. Não costumo rezar, mas foi simples assim.

Beijão, Sis!

Arquiteta Anônima disse...

Só para deixar registrado: tinha escrito um post gigante, super legal que acabou se perdendo nessas coisas de computador/internet.O post acima foi só um resumo, com menos qualidade literária, porém verdadeiro!
=)

Virgínia disse...

Adorei as fotos e o fato de tu teres deixado livros de presente por aí. Espero que sejam lidos e apreciados.