março 09, 2008

Resumão

É como querer fazer caber a história toda da humanidade in a nutshell, eu sei, mas é uma tentativa de não me perder de mim mesma, acima de tudo, e uma maneira de sossegar essa ansiedade que me exije e me manda e me ordena escrever, mesmo que eu acabe não escrevendo o que eu deveria mesmo.



Sábado teve reinício das aulas da Oficina. Nunca é a mesma coisa, apesar da expectativa de ser cada vez melhor. É difícil considerar alguma coisa boa quando já se teve A turma, que foi tão boa que gerou O livro. Mas a vida muda feito as figuras de um caleidoscópio (imagem muito recorrente ultimamente, devo confessar) e nada do que foi será de novo como diz a música, e a onda que nos banha hoje não é amesma que nos banhará amanhã. Já nos explicou Heráclito, o rio nunca é o mesmo, e o resto é bla bla bla whiskas sachê. E imbuída de um sentimento maior de crescimento, tendo em vista o meu objetivo, relevo possíveis bumps on the road e sigo em frente.



Sexta feira foi um dia de recuperação. Era pra ter encontrado as Puffs na quinta, cheguei até a reservar mesa, marcar hora e tudo, mas não deu. O fator David-Lynch surgiu do nada já pela manhã e, incontrolável, foi bem mais forte do que eu podia agüentar, o que me proporcionou um dia inteiro de pesadelo, de querer me enrolar em mim mesma e ficar quietinha no escuro até o fim dos tempos, quando não houvesse mais dor, nem ao mesmo a possibilidade de dor, mas não foi possível. E o engraçado é o quão tricky pode ser esse fator, porque, por alguns momentos, achei que estivesse bem, e que meu estômago estava calmo e que a maelström* não voltaria tão cedo. Tsc tsc tsc, quão tolinha eu sou, até porque tinha esquecido que estava dentro de um pesadelo, e que tudo pode fugir ao meu controle. Pois bem, me vejo dentro de um táxi sacolejante, às cindo da tarde, sob um sol ainda de verão, cujo motorista só pode ser o único da cidade que não sabia como chegar ao Iguatemi, para chegar em casa e acalmar mais uma vez o estômago e depois desabar na cama.



Só fui acordar no dia seguinte, sexta feira, e ainda um tanto abalada. Várias teorias a respeito da minha condição e tudo se resume a hormônios, como sempre, e à vitamina B6. Muita coisa se explica com isso, e inclusive dá pra se divertir com algumas coisas, como este site, que explica que
especialmente mulheres que fazem exame de pills do nascimento-controle ou de
outros formulários dos estrogens,


numa tradução muito babel-fish-la-garantia-soy-jo, podem ter deficiência dessa vitamina.



Bastou tomar um comprimidinho, e o sol voltou a brilhar.



Terça é que foi um dia bom, tranqüilo no trabalho, saí cedinho e fui encontrar a minha dupla de criação no projeto da AJL (mais informação à medida que as coisas forem evoluindo, não posso contar nada agora, até porque não tem nada muito consistente para contar, mas assim que tiver, believe me, contarei.) que está ficando lindo. Com direito a música ao vivo em show exclusivo.

E na ordem maluca que inventei para lembrar dos meus dias, voltamos a ontem, sábado, que começou cedo, começou quente e iluminado e me proporcionou vários momentos de reflexão (que não cabe começar a esmiuçar aqui correndo o risco de não acabar nunca mais, uma vez que um novelo de lã das idéias puxa o outro e a minha condição assumidamente obsessiva-compulsiva não me permitiria parar até que todos os novelos de lã do mundo tivessem sido desenrolados e tricotados em histórias, na História maior, na qual me enredo também) e me trouxe bem cansada a este domingo, depois de uma comemoração de aniversário no bar mais legal do mundo, em que fiquei conversando com a minha ermã, que é a mais legal de todas e que, assim como eu - considerando tudo o que vivemos e lidamos since birth so far -, é a evolução da espécie.

Aí estou aqui, neste calor absurdo de fim de verão, numa cama deliciosamente bagunçada, com my bits and pieces espalhados, pensando em todas as coisas do porvir da semana que vem, das fotos para o SPC que ainda não tirei, tentando resumir tudo tudo tudo e encontrar um sentido maior em cada pequeno evento, na relação de causa-efeito de todos esses eventos e mais, e ainda na necessidade de me organizar para sentar e escrever e transformar em história escrita esses novelos imaginários, esses planetas e mundos criados que orbitam dentro da minha cabeça que pedem gritam choram exijem vir à tona.

E acho que não fiz um bom trabalho, em resumir e fazer as coisas fazerem sentido, mas não faz mal. O que importa é que essa minha válvula de escape é também meu atalho, meu desvio, minha forma de escrever sem escrever mas ainda assim escrevendo.

Até porque, sendo laranja, sou também aranha, e me é impossível não tecer minha teia, de um jeito ou de outro.

* um outro maelström, esse sim, valendo a pena de ser visto. Lírico, absurdo, estranho e lindo. Como a vida.

3 comentários:

Anônimo disse...

Queria eu escrever tão bem assim. Posso até ver as imagens...
Bjs,
Leo

Dona da Linguagem disse...

Mas olha só o Colucci se fazendo! Como se tu também não escrevesse bem!

Hmpf! : )

E quando é que vamos recomeçar os nossos trabalhos ladoBparalelos?

Beijoca

Bia disse...

Que merda são esses hormônios, né?
Eu também não pude ir.
Aliás, não tenho tempo nem de ir no oftalmo e estou ceguinha :)