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novembro 03, 2009

junho 29, 2009


O meu celular prevê o tempo. Confirmei isso hoje.

Ele tem um papel de parede animado, em que se intercalam imagens de frio, de calor, de chuva, de verão, de primavera, de inverno, de outono.



Já faz um tempo, comecei a notar que sempre que o papel de parede mostra a cena de chuva (essas que tentei reproduzir nas fotos, mas que sempre estava uns segundos atrasado em relação aos pingos, esses pontinhos coloridos na diagonal, ok, não deve estar muito nítido, de repente é uma coisa que funciona só comigo, como um oráculo que só se comunica comigo, mas, voltemos), acaba chovendo ao longo do dia.

Como hoje, por exemplo, havia um céu azul e um sol relativamente quente para inverno, praticamente um veranico, só que de junho, e o celular me mostrando chuva. E eu intrigadíssima, porque não fazia sentido algum.


Até que lá por três da tarde o céu começou a escurecer e esfriar, e um vento forte e gelado começou. E pouco depois, a chuva.

Até agora não parou.


Será que tem como programar o papel de parede para os números que vão ser sorteados na megasena?

dezembro 23, 2008

Weird

Nunca, na história deste blog, houve tantos acessos de lugares não-comuns.


É acesso do Paquistão (no blog do aniversário), da Rússia, de Ile-de-France, de Franco da Rocha (seria do Presídio?), Monte Carlo, Milão, Alemanha, México. E o mais interessante de tudo: em plena época de Natal, a maior procura é pela imagem do Leprechaum!


As buscas mais legais:


A mais-mais continua sendo para aprender como paralizar uma pessoa com os dedos. (ehehehehehe!)


A segunda mais-mais, por mais incrível que pareça, é sobre a sorte dos signos. Essa é ainda mais engraçada que a primeira, vide minha mini-biografia.


As buscas mais recentes são sobre teorias conspiracionistas e o aqui (e cuidado com as coisas-piscantes-que-provocam-epilepsia) e aqui. Pra quem gosta, sugiro ler Campbell, Jung e Freud.


Só sei que esses gadgets de contadores e trackbacks e afins são sempre diversão garantida!


novembro 20, 2008

Amar é

Nunca precisar provar nada pra ninguém.*
Achei que precisava contar isso. Até pra combinar com o clima lá do IPD.
No mais, a chuva cai. O frio se faz presente. Nem parece quase-verão e os preparativos já estão sendo preparados.
(aguarde mais surpresas lá no AdC**. Como agora eu tenho vários leitores e leitoras de diferentes cantos do Brasil - antes era um só, ou, uma só - preciso atualizar. Não, ainda não tem nada lá hoje. Mas haverá!)
* The biggest, the best, the ultimate love: self-love.
** Sim, eu amo criar siglas, apelidinhos e nomes secretos. E me divirto com isso!

outubro 29, 2008

Agora mesmo

A chuva continua (e às vezes eu tenho a impressão de sempre sempre sempre repetir essa frase) e o sinal da Net acabou de cair.



Vai ver que é um sinal pra eu ir dormir.





Não posso garantir mas prometo tentar.

A diferença entre significante e significado

Agora que as eleições acabaram e os prefeitos já estão todos escolhidos, reservo-me o direito de comentar alguns fatos da eleição daqui de Porto Alegre. Ok, a partir de agora esqueça um pouco as diferenças ideológicas e partidárias. Considere apenas as pessoas e o que elas fizeram, sem vincular a isso qualquer sigla, símbolo ou partido.

O pior de tudo, pra mim, foi assistir, durante um dos programas, ao Chico Buarque, fazendo elogios a um dos candidatos. Candidato esse que, não raro, fez de tudo para vincular a imagem do Presidente da República à sua, numa atestada necessidade de validação.

Pois bem, o que leva uma pessoa pública a precisar da imagem de outra pessoa pública para ter alguma credibilidade? O quê, além da sua própria debilidade, ou, nulidade?

Penso que (e veja aqui o que o avançado da noite faz com a pessoa: como seria possível que eu exprimisse outro pensamento que não o meu, e pudesse falar de coisas das quais discordo? Mas, continuemos) isso é o que de pior uma pessoa pode mostrar de si mesma. É como se a pessoa estivesse o tempo todo dizendo, olhem para mim, olhem como eu brilho e como eu tenho uma imagem bonita e reluzente, mas por favor não procurem com muito afinco, porque não acharão nada além dessa casca, tão frágil quando uma verdade escrita na areia.

É como aquelas pessoas que compram os livros para enfeitar a estante, ou que não passam da leitura de um pequeno poema, e daí se intitulam conhecedores da obra do autor, como se leitura e conhecimento funcionasse com efeito fractal.

Lembra um pouco o Mágico de Oz, com todos os efeitos especiais e fumaça, só para esconder um senhorzinho montado numa máquina alta e cheia de botões, assustado e impotente.

É por isso que fiquei, mais que tudo, decepcionada ao ver a campanha de um dos candidatos à Prefeitura de Porto Alegre. Ok, houve erros e abusos de ambos os lados, e a cada programa eu perdia um tantinho mais da minha já tão rarefeita crença na sustentabilidade da raça humana. Mas o que foi pior, ao meu ver, foi a pessoa precisar chamar alguém da grandiosidade do Chico Buarque (bom, vamos desconsiderar o fato de ele ter aceitado isso. Vamos desconsiderar o fato de que ele sequer vota na cidade. Vamos desconsiderar tudo isso, porque senão o post vai ser imenso e pode seguir por caminhos inimagináveis. E vamos continuar.), como se a luz dele (ou o sucesso, ou a inteligência, ou, pra explicitar a relação com o título, o conteúdo dele) passasse automaticamente para a pessoa, como se, ao estar perto, a credibidilidade dele fosse automaticamente transferida para a pessoa.

O que essa pessoa (ou os responsáveis pela campanha ou mesmo o partido)ela não percebe é que apenas reflete, como um latão polido reflete o sol do meio-dia, mas fica completamente opaco ao cair da tarde.

E esse é o resumo da diferença entre significante e significado. E de repente as pessoas começam a perceber essas coisas, já não engolem qualquer coisa e passar a questionar mais o que fica por trás da fumaça ou o que vai além do basicão que se aprende no colégio (como conhecer de cor "de tudo, ao meu amor serei atento" ou "o poeta é um fingidor" e não saber o que passa "além da Taprobana" nem quem venha a ser Ricardo Reis e Alberto Caeiro.) e talvez isso seja aprender a pensar por si, e não aceitar qualquer coisa tão facilmente.

Mas talvez seja apenas uma aberração no comportament coletivo, conseqüência da crise mundial econônima ambiental e de pensamento.

Ou vai ver que eu já estou ficando com muito sono e já não consigo mais discernir entre o que está dentro e o que está fora, sabe, nessas horas em que o acordar e o dormitar são muito parecidos e se caminha com um pé sobre a linha do sonho e outro sobre a linha da realidade.









Obs.: Comentários comentados abaixo. E aguarde a campanha "peça o Inventário na Feira." Ok, se vc já tem um, ótimo, agradecemos, não precisa comprar outro. Basta ir lá e pedir. E se você não tem ainda, chegue lá na banca da Nova Prova e pergunte se tem. Só pra ver se eles vão mesmo deixar os livros lá à disposição.

julho 01, 2008

While you are making other plans

Eu nunca tinha reparado como fica escuro cedo, e como fica muito escuro, agora no inverno.

Quer dizer, posso até ter reparado antes, mas nunca tinha sentido isso com tanta intensidade com este ano, nestes últimos dias.

Talvez porque tem chovido muito, durante muitos dias seguidos, e mesmo quando não chove o céu segue num acinzentado chumbo que deixa passar muito pouco da luz do dia, e faz tudo parecer noite mais cedo.

Talvez porque ano passado estava tão envolvida com a concepção e realização dO Livro que nem olhava para o céu nem via se estava claro ou escuro porque não importava muito, desde que eu continuasse a revisar, reler, corrigir, separar os postais, convidar pessoas, atualizar o site.

Talvez porque este ano estou desacelerada - ok, é verdade, mas não é por vontade própria - e ando um tanto doente (bem, o termo certo deveria ser "com dores generalizadas e sem origem específica", mas de repente um tanto doente resume tudo), e um pouco cansada, talvez por causa disso eu esteja mais propensa a olhar para cima, olhar ao redor, perceber melhor as coisas.

E daí venha a perceber que anda ficando muito escuro, logo que anoitece. O sol não se estende nem se espalha, nem estica seus raios até o último minuto sobre as ruas, reverberando com reflexos nas janelas e vidros dos prédios como nos dias de verão. E até nem dá muita vontade de estar fora de casa, enquanto o frio não passa e ainda não é verão e o sol também se esconde e se recolhe e se encolhe o quanto pode, saindo de cena logo que acaba seu horário oficial, guardando seu calor pra si mesmo e pras outras partes do mundo por onde ele segue passando.

E daí venha a sentir muito mais frio e muito mais preguiça, e acabe sentindo muito mais vontade de ficar quietinha, tomando chazinhos e sopinhas e me esquentando de outras formas e tenha sentido até mesmo preguiça de escrever e atualizar o blog.

Mentira. Quero dizer, toda a parte do frio até a parte da preguiça é verdade, ou, bem, coloquemos assim: é não-ficcional (principalmente considerando que este blog é tão permeado de ficcionalidades e inverdades e invencionices, que são, sempre, literariedades). Ao passo que a parte sobre a preguiça de escrever e atualizar o blog é, bem, digamos, ficcional sem ser literarierável. Se é que me é permitido inventar palavras assim à torto e à direito.

O fato é que o blog passou, nestes dias, semanas e algumas horas, para um segundo plano, ou, melhor dizendo, um terceiro - de repente seria melhor dizer logo, quarto - plano. Desceu alguns números na lista de prioridades, porque se tem uma coisa que realmente é prioridade, ao menos pra mim, é a vida real. Já que estamos na parte de explicações do post, seria melhor dizer, a parte não ficcional não negociável da vida.

E essa parte é boa, sabe. Coisas boas acontecem nesse plano não ficcional, coisas melhores do que eu jamais poderia imaginar no plano ficcional. E olha que criatividade eu tenho aos montes (mesmo que evite sempre sempre criar ou mesmo insinuar informações ilusórias, porque isso eu deixo para os doidos, desavisados e desocupados de plantão), mas sei bem separar o que é joio do que é trigo e, mais ainda, sei identificar o que é jóia.

Então nessas de encontrar as jóias, acontece que eu também sei limpá-las e lapidá-las, quando precisam, e acabo sempre encontrando um anel ou um colar ou mesmo um relicário em que elas caibam, e fiquem lindas, e iluminem o ambiente, a vida, o momento. E o blog passou para segundo (terceiro, quarto, em alguns momentos quinto, mas isso eu já expliquei e, bem, tempo é muito importante, então passemos adiante) plano mediante algumas jóias encontradas no plano não ficcional. Não exatamente pérolas, porque para encontrar pérolas é preciso que se mergulhe fundo, e é preciso que se abra as ostras - e, não sei se é sabido de todos, mas ostras são seres muito conscienciosos de sua privacidade e espaço, e podem ser perigosos, caso não se saiba lidar com eles - com cuidado, e pedir com educação para retirar a pérola dali, sempre lembrando de deixar no lugar um grãozinho de areia, um fragmentozinho de concha, para que a ostra se apegue a ele tanto quanto era apegada à pérola e lhe deixe em paz. E, caso as palavras anteriores não tenham lhe escapado, bem, anda muito frio para mergulhar muito fundo. Frio e escuro.

É que escurece muito cedo nesta época do ano, e talvez eu nunca tenha reparado antes, ou talvez este seja um ano peculiarmente mais escuro que os anteriores, e definitivamente o sol anda aparecendo pouco. E anda chovendo muito, e mesmo quando chove as nuvens escuras permanecem, e se espalham pelo céu e se esticam até o horizonte, até onde podem tapar o sol e seus últimos raios do dia com mais eficiência. E é por isso que eu ando mais preocupada em manter o calor, ainda mais que estou desacelerada -bem, não que tenha sido por escolha ou vontade própria, mas os acontecimentos não me permitem andar no meu ritmo, que é sem dúvida mais veloz do que o normal dos acontecimentos -, mesmo que não seja bem uma opção mas se caracterize mais por uma norma, nestes dias, e o fato é que por andar mesmo desacelerada, o calor me é caro, e os momentos disponíveis para este blog (entre outras coisas mais ficcionais, digamos assim) andam raros, mas ando encontrando jóias e coletando-as e colecionando coisas muito mais importantes para mim (e bem, por que não dizer, também para o mundo, no momento em que depende da minha compreensão e concepção e organização mental o bom andamento do mundo) que poderão ser importantes de uma maneira bem mais abrangente no futuro (believe me when I say this) do que podem parecer agora.

Então que não é estação propícia para ficar mergulhando fundo, nem para ficar chasing cars, como diz a música, muito menos para ficar tomando sereno, com todo esse frio que anda fazendo. Mas de repente eu não reparei, anteriormente, que faz tanto frio nesta época do ano, mas pode ser que este seja um ano atípico. Pode ser, também, que sempre sempre escureceu assim tão cedo, e sempre sempre o escuro foi tão escuro como me parece que é agora. E se sempre sempre sempre foi assim, de o sol se recolher, e o frio recrudescer, e o escuro nos fazer empalidecer, de repente é uma coisa um tanto boa que eu possa estar desacelerada desta forma, porque somente desta maneira posso, se de nada mais vale, reparar nesse fato, nessa realidade, ou melhor, nessa não ficção, e poder contemplar o mundo de um ponto-de-vista, para dizer o mínimo, diferente.

(Because are those things, those little, even insignificant things - as it might seem at a first glance - that happen to you, that can be considered your life, while your mind and your thoughts might be elsewhere)

junho 21, 2008

Nude and self-portrait

I finished my post for Self-PortraitChallenge, and I've been feeling bad, because I was not participating, because I feel like I don't have time, because I've been feeling not-so-good-looking, to appear in a nude photo.



So I went up through my old pictures, and I found some that I enjoyed.



And if it is ok with everyone, I'll post an old nude photo, to perhaps inspire me to get at least one new one to post for the last week of this interesting challenge.









To see some great looking images of nude, check SPC this month.

junho 03, 2008

Just hanging

Esta era a foto que eu colocaria hoje (ontem) no Imagempordia, porque traduz mais ou menos o sentimento mais forte. Mas aí, com as mãos cheias de remédio, vi que era bem mais significativo. Ainda mais para quem me conhece.

A foto estava boa, e válida, para marcar o dia, então resolvi postar aqui mesmo.

A bagunça do meu armário continua lá, como dá pra ver. Ainda bem que ao menos o restante do bagunçado quarto não parece na foto.

maio 28, 2008

For SPC - Fresh Idea








This is how it works: I see an image, or a scene, a movement, in my head. Sometimes is just for a second. It doesn't need more than that.







I try to concentrate on the emotion of the image, or the scene. The intensity, the colors, the temperature. The scent. I try to figure if it is noisy there, or if the dogs are barking on the next corner.







Then the image takes me over. It starts to haunt me, to fulfill my thoughts, my dreams. That's when the characters show themselves. They begin to move. They talk and their voices are far and low at first, but as time goes, they come closer and I can listen to them more carefully.



I begin to watch them as they go, and they offer me their hand and I just grab and let myself go. I start to follow them around. I come to know the very deep of them. I can hear them while I brush my teeth to go to work, and I remember them as I buy groceries to make dinner.



They become louder and louder inside my head until the point I can't no longer have them inside.



That's when I go back to the first scene, the first image - that I probably have written down in one of my notebooks - and write it all down, and pull the characters and the action and the whole thing out of my head.



And then I can be just me again, with some silence inside. For a while, at least, until the next fresh idea start to take me over.





(For more fresh, check here)

maio 07, 2008

Maluquices do meio da noite

Geralmente depois de fechar os olhos e cair no mundo dos sonhos, eu durmo super bem. Quando durmo, é verdade, porque o Senhor Sandman - aquele um que carrega um saquinho de areia e joga a areia nos olhos das pessoas para que as pálpebras pesem e as pessoas sintam sono e durmam bem até o dia seguinte - tem chegado em mim de mãos vazias. Aí até ele voltar e trazer uma nova porção de sua areia mágica, já é muito tarde e eu já fiquei horas e horas no vazio da insônia.

Ontem era dia de ver filme com Boyfriend, e assistimos a Sleuth, filme estranho, diferente, mas bom. Aí que o filme é curtinho, e mais o frio e mais as cobertas e tudo, me embalaram tão bem que mal acabou a história, dormi. E dormi tão bem que lá por quatro horas da manhã abri os olhos, como se fosse quase hora de acordar, e fiquei esperando pela luz entrar pela janela. E nada.

Aí que eu estava louca de vontade de acordar Boyfriend para conversar com ele uma porção de coisas que não tinha falado ainda, coisas que me aconteceram desde segunda feira mas que, por causa de outros assuntos mais urgentes nas conversas, acabaram ficando de lado.

Só que ele tem o sono super leve, e estava com medo de acordá-lo (porque daí inevitavelmente eu cairia no sono no primeiro instante deixando-o acordado até a noite do dia seguinte, como já aconteceu antes), então tentei me revirar pra lá e pra cá o menos possível e, na total loucura da pessoa, comecei a enumerar mentalmente os imeiles que escreveria assim que chegasse no trabalho. Alguns escrevem press-rilís nesses momentos, eu escrevo imeiles e mais imeiles. Com variados assuntos, diversas argumentações. Tinha um, inclusive, com citações com direito ao link para a busca do Google e tudo.

Como eu não queria acordar Boyfriend e a urgência de todos os assuntos e novidades estava me matando, fiquei escrevendo mentalmente a mensagem que mandaria pra ele assim que chegasse no trabalho. Aí eu devo ter dormido, porque não me lembro de ter assinado, não me lembro de ter recebido resposta (sim, porque além da loucura de redigir os imeiles, eu já conjecturo as possibilidades de respostas, e como faria a réplica a essas hipotéticas respostas. E, bem, sim, tudo isso de olhos fechados, ao mesmo tempo que penso ainda estar acordada quando deveria estar dormindo e tentando medir o tempo que isso tudo leva. Um caso perdido, eu sei.) mas lembro que acordei bem contente pela manhã.

Desnecessário dizer que não, não me lembrava da redação de nenhuma das mensagens e sequer lembrava da lista de mensagens a serem enviadas. O que me faz concluir de que eu realizo com tanto afinco e dedicação as tarefas em estado de vigília, que o meu inconsciente assume que estão realizadas, o que me deixa bem perdida no dia seguinte.

Talvez eu devesse considerar uma outra forma de combater a insônia, nessas noites perdidas. Acho que terei que escolher um país para enumerar os estados em ordem alfabética.

No início eu usava o Brasil mesmo, mas são apenas 27, e as aulas do colégio ficaram tão bem gravadas que chegava até o final e depois tentava de trás pra frente e nada. Aí foi mais ou menos na época do intercâmbio que eu passei para os estados Norte-Americanos. São cinqüenta, pensei, tenho entretenimento para várias noites. Realmente, chegava lá por Mississipi e eu já estava dormindo. Mas aí teve um dia que eu cheguei a Ohio, e depois cheguei a Tennessee, e daí pra Washington (e porque eu sempre esquecia de Wyoming e nunca chegava lá) e pra perder a graça foi um pulo.

Da próxima vez tentarei os países da Europa. Se bem que espero que da próxima vez - quer dizer, não esperando que haja uma próxima vez, mas considerando a possibilidade - eu não sinta tanto frio ou preguiça para me levantar e buscar meu caderninho e uma caneta, ou de repente esteja prevenida e já tenha deixado o caderninho e a caneta ao lado da cama, para que possa efetivamente escrever, e deixar registradas as palavras e frases - sempre tão bem construídas, devo ressaltar! - que são realidade só na minha cabeça. Assim ao menos posso passar a considerar as listas e mensagens realmente escritas, em vez de assumir que sim e esquecer do assunto e passar adiante.

abril 16, 2008

Das coisas engraçadas do silêncio

É engraçado participar de diálogos e conversas e estar assim num momento de silêncio forçado. As pessoas não percebem, mas o fato de não me ouvirem - e não olharem para os meus lábios enquanto eu tentava balbuciar alguma coisa sem que a voz saísse - fazia de mim um mero acessório, um enfeite, uma presença vazia, mas uma validação das conversas que elas continuavam por si mesmas, sem precisar muito de mim.

Uma pessoa me perguntou se eu estava rouca. E na mesma hora se deu conta do quão boba foi a pergunta, dizendo, mas que bobagem, claro que vc tá rouca. Acontece que eu respondi, disse, não, não estou rouca, isso é charme. Mas a pessoa não ouviu.

Outra pessoa me confessou estar adorando conversar comigo neste estado, porque não precisaria parar, me dar chance de responder, e mesmo que eu quisesse reclamar, a voz não sairia e ele não ouviria, e poderia continuar falando sobre o que quisesse.

Uma pessoa, um homem, comentou - querendo ser engraçadinho - que o meu namorado deveria estar bem contente de me ter naquela situação, e que ele apenas queria que a mulher dele pudesse ficar assim por uns dias. Machista, mas engraçadinho. E de repente a mulher dele fala sem parar e é ele quem tem que viver na terapia do silêncio a maioria dos dias, o que não faz dele uma pessoa ruim, apenas alguém que não é ouvido o suficiente.

Acontece que eu ouço. Geralmente eu sou boa ouvinte. E, devo confessar, quando é para falar de sentimentos - os meus, para ser mais específica - sou muito melhor ouvinte do que falante. E, às vezes, quando me meto a dar uma de conselheira, em alguns momentos continuo a ser melhor ouvinte do que falante.

Só que eu adoro falar. É horrível dizer, eu sei, mas eu gosto do som da minha própria voz. Vai ver que por dentro o som não fica tão ruim quanto deve ser ouvi-la sob a perspectiva das outras pessoas (em breve o programa Livro Aberto estará no youtube, aí vocês podem decidir por si mesmos), e isso me engana um pouco. E é disso que talvez eu esteja sentindo a maior falta. De me ouvir.

Mas o mais engraçado é ver as pessoas, nas lojas, meus colegas, clientes, todos, que conversam comigo e ouvem os meus rumores automaticamente baixam o volume de suas vozes e começam a sussurrar também, e chegam mais perto. Quase como se fosse um segredo. Num gesto automático, bem humano, de imitação. Quando elas se dão conta, estão quase quase se comunicando no mesmo nível de praticamente-sem-som que eu, sem perceber. Eu só posso rir.

E se isso tudo de ficar sem voz não estivesse começando a me incomodar, até poderia pensar em fazer um estudo sobre isso. Mas, ah, deixa pra lá.

abril 11, 2008

Subestimação e surpresa

Sempre acho que pessoas espertas não me subestimam, quando me conhecem ou quando me pedem para que alguma tarefa seja realizada. Ok, pessoas espertas E educadas não subestimam ninguém, em nenhuma situação. Simpatizo com quem consegue me enxergar mais para além da loirice (ah, os estereótipos!), dos ataques de five-year-oldism e do esganiçado da voz, são pontos extra que a pessoa pode ganhar comigo.

No geral, me irrita profundamente ser subestimada. Mas o prazer de provar a pessoa errada, de mostrar a ela sua pequenez, de deixar claro ao mundo o quanto essa pessoa foi tosca e míope e incapaz de ler os sinais e as entrelinhas, ah, isso é ótimo, e lindo, e até compensa toda a irritação.

Não, não me atrai a vingança, não é a isso que me refiro. Falo da cara parva e paralizada que a pessoa geralmente faz quando tem que dar o braço a torcer - não por nenhuma disputa ou qualquer coisa, e sim meramente por encarar os fatos como são - e voltar atrás, desdizer-se, admitir, sob qualquer forma, que me subestimou, que me mediu com sua própria régua (pequena, sabe, dessas que a gente carrega na mochila e perde entre os livros) e que admite então que se enganou.

Se isso é em público então, puro deleite!

abril 08, 2008

E, oi, é, estou aqui.

Sim, estou viva, estou por aqui. Um tanto desligada, um tanto em momento-concha, mas ainda por aqui.

Ainda não me perdi. Ainda não esqueci a senha. Ainda não desisti completamente (até porque não farei mais isso, uma das minhas metas pessoais: seguir adiante com os projetos) nem mudei de endereço.

Ando um tanto contrariada. Muito trabalho e pouco descanço. Ar muito frio por dentro e muito muito calor do lado de fora. Um tanto de dor no corpo e muita dor de garganta. Muita insônia e um tanto de writer's block.

Nada que não passe. Nada que uma pororoca de lua crescente não carregue e destrua e bagunce e, no meio de isso tudo, revire a terra e as idéias e me obrigue a reconstruir tudo e pensar sobre a reconstrução, sobre o melhor modo de reconstruir tudo. Se num momento há cheias e inundações, no momento seguinte há a terra fértil e a colheita farta, e assim segue a vida, ciclicamente.

Ainda não me perdi de todo, sabe, então me dê tempo ao meu tempo. Daqui a pouco tem a colheita, e também isso toma tempo. E eu garanto a qualidade dos frutos.

março 17, 2008

Because I heard the call.

(From this week's PostSecret)

Because I not only feel as a freak, I know for a fact I am one. And I feel much closer to people who show some of their weirdness to the world, instead of hiding them behind a "look-how-perfect-I-am-and-how-good-I-fit-in" mask.

I am here. Weird, strange, bizarre, and proud of all of them, because they are the puzzle pieces that complete me.

(I should get a t-shirt, saying "I'm weird and loving it" on it, or something close to it.)