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agosto 06, 2009

A teoria da dor




Terça feira fiz uma aula experimental de yoga.






Aliás, fiz duas, uma emendada na outra. Não sei exatamente porquê, estava lá, me empolguei.






Aí que me dei conta de que sou bem menos flexível que pensava. Ok, de acordo com a professora, sou mais flexível que a maioria, mas ainda assim bem longe do que sou na minha cabeça. (E, assim como os mapas mentais que tenho dos lugares, quase nunca bate exatamente com a realidade.)






E me dei conta de respirar muito mal.






E, pior, não ter muita coordenação para seguir instruções sem olhá-las diretamente. Foi mais ou menos a mesma sensação que senti numa experiência passada de ginástica coletiva (aquelas ocasiões que as pessoas se reunem na frente de um espelho, ou com um degrauzinho, ou com uma cama-elástica - que não tinha no meu tempo - para obedecer uma outra pessoa que fica de costas para o espelho e que diz esquerda mas vai para a minha direita e vice-versa, essas atividades coletivas que antigamente eram chamadas genericamente por aeróbicas e que agora têm uns nomes como pump alguma coisa ou body-sei-lá-o-quê) que é a de total descompasso com o restante da humanidade, que, neste caso específico, eram a meia dúzia de pessoas da sala. Assim, a ponto de a professora falar perna direita e eu automaticamente colocar a perna esquerda e me dar conta disso e continuar toda a sequência trocada porque daria muito mais trabalho de sincronizar o movimento se eu parasse tudo e começasse com a certa.








Ainda bem que eu tava lá no fundo da sala e ninguém testemunhou o meu fiasco.


Estou falando isso porque hoje estou sentindo todo o meu corpo. E sentindo todo o corpo porque algumas partes estão em dor. Não uma dor excruciante, insuportável. Mas dor, ainda assim, um desconforto nos ombros, nas costas, nas pernas.


Se é que é possível ser, uma dor sendo boa.




(asana da árvore, que eu gostei de fazer)

Mal posso esperar pela aula da semana que vem, para ver quais músculos irão acordar para a dor!

outubro 01, 2008

Recomeçando.

E, então, como se fosse sempre assim, há o dia em que se acorda e a dor não está mais lá.

Não há mais enjôo* nem irritação. Nem é mais possível sentir os pequenos capilares cerebrais pulsando a cada jorro de sangue. A sensibilidade volta ao normal, e um bater de portas não é mais o fim do mundo.

E acorda-se novamente respirando. Sentindo o ar que enche os pulmões em vez da dilatação do diafragma que estica toda a pele e contorne os nervos. Nada mais disso. Apenas um quase silencioso murmurar, como se o corpo todo agradecesse a folga.

O peso se foi.

Agora já é possível seguir em frente.









* Perder-se-ão os acentos nas palavras como enjoo a partir de janeiro de 2009. Mas eles ainda valem. E eu ainda sou muito apegada a eles. O novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa diz que até 2012 os livros e gramáticas e as pessoas terão que se adaptar a esse novo jeito de escrever. Que eu acho deveras arbitrário, uma vez que as mudanças - essas mesmas que levam à evolução de qualquer língua viva - efetivas são as que partem dos usuários da língua para depois passarem a ser regra geral.

abril 16, 2008

Terapia do silêncio

E não estou nem falando de não escrever aqui no blog. Estou falando de não falar mesmo. Não usar a voz e todas as conseqüências disso, como não ser compreendida ou nem considerada.

Desde quinta feira passada tenho sentido dores de garganta e febre e todas essas coisas flu-related, mas a voz sumiu mesmo no sábado.

Não, não gritei, não fui em jogo, não bebi nem nada. E no sábado à noite quando fui ao aniversário de um amigo, fiquei quietinha, com mantas e casacos, protegida do vento e do frio. Claro que segunda a coisa piorou, porque ir ao trabalho e não falar é meio impossível, e o fiapo de voz que ainda me restava se esgarçou. Ontem foi pior. E hoje, cansada da dor, da tosse e dos espirros, fui ao médico. Que, wisely, me recomendou repouso vocal, além de alguns remédios. O que, na prática, significa dois dias em casa.

OBA!

Ok, até agora não fui muito produtiva, mas ao menos estou sendo obediente. Nada de conversas, nada de diálogos inúteis, nada de respostas sem-paciência para perguntas chatas, nada de telefonemas.

OBA!

A parte ruim é que não sei quando terei a minha voz de volta (e, de repente, se não fosse pedir muito, ela pudesse voltar menos esganiçada...). Até lá continuarei meio Ariel na Little Mermaid, claro que sem caminhar por milhões de pontas de faca a cada passo (apesar de adorar a versão Disney, esqueçam-na por um momento e busquei a versão conto0de-fadas original. Recomendo.), mas experimentando o mundo de uma maneira mais pensativa, contemplativa e quieta.

(Só espero que eu não enlouqueça antes de melhorar. E nesse meio tempo, tento escrever mais pra compensar o silêncio.)

fevereiro 12, 2008

Depois da dor...

Eu tinha uma professora no colégio que dizia, com relação às provas, que depois da dor vem o prazer.

Desde quinta feira que estava com uma ultra-super-mega-power-zord dor de cabeça. Na verdade o princípio da dor era de sinusite, e aí ela cresceu, e cresceu e se tornou uma enxaqueca terrível. Apesar da total aversão que eu sinto à palavra enxaqueca, foi isso mesmo.

Na sexta feira não fui trabalhar, e passei o dia inutilmente em casa, dormitando em frente à tevê. No fim da tarde consegui reunir forças pra ir até a loja e comprar as lembrancinhas da formatura da Paty (vão ficar tão bonitinhas!!!), mas voltei logo em seguida e continuei deitada, com os olhos semicerrados. E desde o início do dia agradecia, de tempos em tempos, pela mágica da alquimia dos remédios!

No sábado, só saí de casa para ir cortar o cabelo, e ainda assim nem pude aproveitar o corte lindo e glamouroso porque só queria voltar para a minha cama, me enrolar no edredom e ficar ali, simplesmente, com o menor número de movimentos possível. Com Boyfriend, vimos alguns filmes. Uns muito bons (este, que apesar de ser bom perde em muito para o livro) e uns muito estranhos (como este e este), e um bom mas que podia ser melhor se o diretor não tivesse deixado suas dúvidas quanto ao roteiro permearem o resultado final (este aqui).

E nisso acabou o final de semana, e nisso, apesar do clima muito muito úmido, com uma chuva quente que deixava o ar ainda mais abafado quando parava, os remédios cumpriram suas promessas, e, de repente, me vi sem contrair de dor ao levantar a cabeça, ou então sem ficar nauseada ao caminhar e ter que virar o rosto, e me percebi respirando com mais facilidade. Há vida depois da dor. Quer dizer, depois que ela passa. E é só nessa ínfima janela de tempo, do limbo das sensações enquanto o corpo ainda lembra das dificuldades que passou e está tudo ainda muito sensível mas a dor não está mais lá que se percebe o peso extra que se levava e o quanto ele impedia de respirar e pensar com clareza.

Ufa.